19/01/2026
– Pesquisadores do Parque Nacional Golden Gate Highlands,
na África do Sul, descobriram que três espécies
de toutinegras africanas, incluindo a toutinegra-pequena (Bradypterus
baboecala) e a toutinegra-amarela-africana (Iduna natalensis),
não cantam de manhã quando o clima está frio.
A equipe, liderada por Mosikidi Toka, utilizou gravadores automatizados
para registrar os cantos e estudar como as baixas temperaturas
afetam o comportamento vocal dessas aves, que habitam principalmente
pântanos e áreas úmidas, movendo-se entre
a vegetação densa.
A terceira espécie estudada
foi a toutinegra-dos-pântanos-menor (Acrocephalus gracilirostris),
um pássaro marrom com partes inferiores brancas que se
alimenta de insetos e balança entre juncos altos. Essas
três toutinegras — a toutinegra-pequena, a toutinegra-amarela-africana
e a toutinegra-dos-pântanos-menor — são comuns
no sul da África, incluindo áreas úmidas
de montanha, lagoas e represas artificiais, e contribuem para
o coro da madrugada durante a época de reprodução.
O estudo foi realizado no Parque Nacional Golden Gate Highlands,
de alta altitude na cordilheira Drakensberg, escolhido por seus
invernos rigorosos, que permitem analisar como o frio afeta o
canto matinal dessas aves.
O coro da alvorada ocorre quando
aves canoras de uma comunidade cantam intensamente ao redor do
nascer do sol, principalmente antes e logo após o amanhecer.
No hemisfério sul, esses coros acontecem de setembro a
fevereiro, sendo mais intensos durante a época de reprodução,
quando os machos cantam para atrair parceiras, que podem responder
vocalmente. Fora da reprodução, o canto serve para
defender território ou manter contato com outros indivíduos.
O canto do coro da alvorada é
mais intenso antes do nascer do sol e diminui ao longo da manhã,
com cada ave tentando se destacar usando horários ou frequências
específicas. Ao ocupar nichos diferentes, as espécies
aumentam suas chances de sucesso na competição por
espaço no ar. Embora para os humanos o som possa parecer
uma cacofonia, para as fêmeas é altamente atraente,
ajudando-as a escolher o parceiro ideal entre os machos cantores.
O estudo investigou
como temperatura, umidade, vento, chuva e luar influenciam o canto
de pássaros ao amanhecer em áreas úmidas
de alta montanha. Compreender essas relações ajuda
os cientistas a monitorar a vida selvagem e ajustar esforços
de conservação diante das mudanças climáticas,
já que o aquecimento global ameaça esses pântanos
e suas espécies. Para isolar os efeitos do clima, a pesquisa
focou em espécies intimamente relacionadas, evitando que
diferenças físicas entre aves interferissem na análise
do impacto ambiental sobre seus cantos.
Foram usados gravadores de áudio
especiais para registrar todo o canto das aves ao longo do coro
da madrugada sem a presença de pesquisadores. Os cantos
específicos foram identificados com o programa Kaleidoscope
Pro, permitindo monitorar início e frequência diária
do canto de cada pássaro. Paralelamente, foram coletados
dados meteorológicos (temperatura, umidade, vento e chuva)
e informações sobre as fases da lua, e uma análise
matemática foi aplicada para avaliar como o clima influencia
o horário em que os pássaros começam a cantar
todas as manhãs.
O estudo mostrou que as três
espécies de toutinegras cantam mais cedo em dias quentes
e mais tarde em dias frios, refletindo sua adaptação
ao ambiente local. Além da temperatura, outros fatores
ambientais afetam o início do coro de maneiras distintas:
a umidade fez a toutinegra-amarela-africana cantar mais cedo,
a toutinegra-dos-pântanos-menor cantar mais tarde, e a toutinegra-pequena
não foi afetada.
O estudo mostrou que fatores ambientais
influenciam o início do canto das toutinegras de maneiras
diferentes. Vento: o rouxinol-pequeno-dos-pântanos e o rouxinol-pequeno-dos-juncos
cantavam mais cedo, enquanto o rouxinol-amarelo-africano não
era afetado. Chuva: atrasava o canto do rouxinol-amarelo-africano
e do rouxinol-pequeno-dos-juncos, mas fazia o rouxinol-pequeno-dos-pântanos
cantar mais cedo. Lua: após noites mais claras, o rouxinol-pequeno-dos-pântanos
e o rouxinol-pequeno-dos-juncos cantavam mais tarde, sem efeito
sobre o rouxinol-amarelo-africano. Em todas as espécies,
o canto começava mais cedo no meio da época de reprodução
e mais tarde no final.
O estudo mostra como clima e luz
da lua influenciam o canto e o comportamento das toutinegras em
zonas úmidas de alta montanha, funcionando como uma espécie
de “previsão do tempo” para aves, ajudando
ambientalistas a protegê-las. Ao compreender melhor essas
três espécies, os cientistas ganham insights sobre
adaptação a ambientes hostis e vulnerabilidade a
mudanças climáticas e atividades humanas. A pesquisa
também destaca o valor das paisagens sonoras, revelando
como os sons da natureza podem informar sobre o funcionamento
e a conservação dos ecossistemas.
Criado em 2015, dentro do setor
de pesquisa da Agência Ambiental Pick-upau, a Plataforma
Darwin, o Projeto Aves realiza atividades voltadas ao estudo e
conservação desses animais. Pesquisas científicas
como levantamentos quantitativos e qualitativos, pesquisas sobre
frugivoria e dispersão de sementes, polinização
de flores, são publicadas na Darwin Society Magazine; produção
e plantio de espécies vegetais, além de atividades
socioambientais com crianças, jovens e adultos, sobre a
importância em atuar na conservação das aves.
Da Redação,
com informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência
artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay
|